A idade da mãe

 




 

 

No início das minhas forças 

Eu me tornei mãe pela primeira vez aos vinte anos.
Muito jovem, com a cabeça meio fora do lugar, mas com o coração rendido àquele ser, que logo começaria a me chamar de mãe.

Confesso que me sentia quase uma usurpadora de títulos.
Eu , mãe?
Ao mesmo tempo que  era estranho; diferente; imerecido; também era gracioso.

Ser chamada de mãe, ser solicitada como mãe, revelava uma conexão construída dia após dia, a partir da gestação e se estendendo para sempre.
O cordão umbilical seria cortado com tesoura cirúrgica, mas  o que cortaria o vínculo?!

Deus tecia lá dentro, e eu aqui fora...

Era muito jovem , mas foi na minha primeira gestação que aprendi a fazer mantas de lã e sapatinhos de crochê, como também aprendi a desejar ser, a melhor mãe que meu filho pudesse ter.

Do micro ao macro, a maternidade me forjou a uma tarefa, uma missão árdua, mas lindamente indizível!

Logo, lavar e passar aquelas fraldas branquinhas de algodão
 ( descartáveis eram um luxo para mim) se tornou mais que um dever, se tornou parte do cuidado natural, tanto quanto fazer tudo o que poderia ser feito, para meu filho saber o quanto era amado!
Ele veio me ensinar sobre bravura e determinação!

Depois tive mais duas filhas, lindas! Elas vieram me ensinar sobre  coragem e resiliência.
Sobre desbravar a selvageria de um mundo preconceituoso e hostil para bebês (e até para algumas mães)

Cada  gestação, cada filho é único!
Não se deve comparar, não se deve medir.
É layout exclusivo!

A habilidade em confeccionar peças de crochê para os meu filhotes foi aperfeiçoada, assim como o desejo de ser a melhor mãe que eles pudessem ter.
Era a parte que me tocava e não mediria esforços para isto.
Não medi!

Independente da idade e dos desacertos, estou pra dizer, que ninguém cuida como a mãe,  porque ninguém ama como a mãe.
O maternar me ensinou algo de muito precioso, me formou , ao mesmo tempo em que eu formava alguém.
E pra fechar com chave de ouro , aos quarenta e sete anos, vendo a menopausa -leia aqui-
chegando já na esquina , me vejo gravidíssima!
Mais um menino, lindo ,forte e inteligente. Ele veio me ensinar sobre milagre!

Quebrando protocolos
Então,  por estar beirando os cinquenta, na época dessa gestação, vi olhares curiosos, narizes torcidos e sutis reprovações.
Ops, reprovações sempre experimentei. Não seria dessa vez que sucumbiria. Logo eu?

E aqui aplicaria o mesmo princípio: Mais importante do que a idade da mãe, é o coração da mãe!
Coração que fica guardadinho (ninguém vê)e que guarda tantas coisas, tantos segredos.
O coração da mãe é um depósito, na maioria das vezes, de valentia e recursos surreais de sobrevivência.

Pode passar desapercebido, mas é um segundo útero, que gera sonhos, e vida também!


E infelizmente, com tanta coisa linda acontecendo,  pessoas se dão ao trabalho de especular sobre a idade da mãe,  como se isto fosse definir o sucesso da maternidade!
Vem  cá! Tem certeza que isto importa tanto assim, ao ponto de tecerem opiniões rasas e piadas desnecessárias?!
Tudo bem para pequenas descontrações-porque de contrações a gente quer descansar rs. Mas marcação cerrada já fica inconveniente.
Tudo bem que em situações pontuais, a idade da mãe é necessário informar .
Tudo bem que para incentivar e inspirar, podemos sim falar sobre isto, sem preconceito.
Mas o que pega , é quando pegam pesado!
Inconveniência.

Definindo o verdadeiro padrão
Se a juventude traz energia e espontaneidade, a maturidade entrega estabilidade e sabedoria.
Entretanto, cada fase carrega seus próprios desafios, e sua beleza única.

Eu acho que a mais incrível constatação, que está acima de qualquer  julgamento leviano, é que a natureza é orquestrada por um regente sábio e soberano!
Uma mulher enquanto fértil, pode gerar tanto quanto um coração pode amar. Seja aos vinte ou aos cinquenta!
Ela saberá se reinventar, é da sua natureza.

E não existe idade perfeita para ser mãe.
Existe amor, entrega, noites mal dormidas, culpas, medos e alegrias imensuráveis, em qualquer década da vida.

Ninguém nasce pronta, a maternidade vai lapidando cada uma individualmente em suas especificidades.

Porém, a mãe jovem e a mãe madura compartilham algo poderoso:
o desejo de ver seu filho crescer saudável, forte e trilhando o melhor caminho.
E isso é maior do que qualquer julgamento.
A idade da mãe não define sua capacidade de amar e educar.



Pitacos Rosé Gold
 Mãe jovem

•Confie no seu instinto, pois não existe manual que ensine o amor materno. Isto está imprimido em você!
Ouça conselhos selecionados, filtrados.
E lembre-se: quem conhece o choro e o ritmo do seu bebê é você.

•Não acredite no glamour do maternar perfeito. A maioria dos estereótipos de mães perfeitas, com recursos inesgotáveis, rotinas incríveis e métodos infalíveis, não existem.

A realidade é outra !
E perseguir esses padrões se tornarão um fardo.

•Cuide de você também.  É muito fácil se perder entre madrugadas e fraldas,  mas encontre-se na rotina, ela não deve apagá-la, mas construí-la.



Mãe madura
•Não enlouqueça! Possivelmente já construiu uma rotina estável, e ver isso alterado com um bebê em casa, pode causar uma baguncinha interna. Use a sabedoria e a experiência em seu favor no gerenciamento de tudo isso.
Se permita viver tudo de novo! Vai com fé!

•Eu sei que por ter mais experiência,  não nos permitimos falhar. Lamento informar que isto é inevitável!
Vamos falhar tanto quanto vamos acertar.
Não se torture com essa auto exigência, não seja vítima de sua própria pressão.

•Permita-se aprender sem presunção!
Sempre haverá algo a aprender,  e nossos filhos precisam de mães capacitadas, mas humildes. Eles estão o tempo todo olhando para nós, e aprenderão com nossos exemplos.

•No mais, quer seja jovem ou madura, não leve a sério as especulações alheias, sobre idade e tantas outras coisas que não fazem sentido.
Responda com gentileza, mas imponha limites!

Outro dia me perguntaram:
 -Você é a avó?
Eu disse: 
- Não! Sou a mãe!
Mãe com M maiúsculo
-M de misericórdia né?
Eu disse:  
-M de motivação!

E que assim seja essa graciosidade do maternar em nossas vidas! 
  
Foi muito bom compartilhar tudo isso com você! 
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E se quiser bater um papo entre em contato 

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