Senhora Menopausa, o que queres de mim?



 

Espelho, espelho meu


Quando me olhei no espelho, em um desses dias em que nos observamos com mais atenção, percebi que uma mudança significativa estava ocorrendo em mim.

Nunca fui uma referência de beleza, mas todos sabem que sempre há um período em nossas vidas em que experimentamos dias melhores nesse quesito :)

Minha pele perdera o viço e algumas rugas denunciavam alguns anos a mais.

Cabelos grisalhos. Silhueta esquisita.

Após uma breve análise, quis sair correndo.

Correndo para algo que me fizesse sentir melhor.

Mas, ali, entre as cercas do meu campo florido, notei algumas pedras e ervas daninhas.

Ao dar continuidade à vida normal, à rotina, percebi também algumas limitações importantes.

A disposição já não era a mesma, o sono estava desregulado e a serenidade substituída por explosões...

Pensamentos pessimistas, dores variadas, calorões sem precedentes.

A saúde parecia entrar em colapso. Pensei: "Será que vou morrer agora?"


Amigas para sempre, ou não



Eu sabia do que se tratava, ou, de quem.. Ela chegou e não bateu à porta, entrou como se fosse de casa.

Senhora menopausa o que queres de mim? "Tudo", disse ela, "tudo o que você negligenciar".

Entendi o ultimato e a seriedade da situação.

É natural, e contra a natureza não há objeções. 

Com a falência ovariana tem-se a queda hormonal, até que ocorra a menopausa:a última menstruação. 

A origem está lá nos ovários que não produzem mais hormônios, mas sentiremos os efeitos disso no corpo todo, posso dizer até,  da cabeça aos pés :(

É natural, mas vou deixá-la fazer o que quiser comigo? Me render sem reagir?

Não poderia! Ainda que alguns profissionais da saúde nos digam para nos conformarmos, isso eu não faria.

Natural? Sim! E ninguém, absolutamente, pode deter o tempo e impedir o envelhecimento com suas consequências. 

Mas daí a omitir cuidados comigo mesma, é outra história.

Busquei informações importantes sobre o cuidado com isto que, em hipótese alguma, é uma doença, mas que, se não receber a devida atenção, poderá ser tão sério quanto. 

Desde então, eu e as consequências da menopausa , temos sido companheiras mais amistosas. 

É uma relação de troca ,  os sintomas me lembram todos os dias , que não sou mais uma mocinha, e eu os trato com respeito, porém, com disciplina, não os deixo muito à vontade não, já percebi que são folgados :)
 

Improdutiva não!

O tempo passou, levando e trazendo muitas coisas. 

Confesso que é assustador, no meu caso, saber que já vivi mais de meio século, e alguns diriam que, daqui para frente, é só ladeira abaixo.

Cuido muito dos meus pensamentos, para que eles não andem com más companhias - um abismo chama outro abismo.

 Senão, será ladeira abaixo mesmo.

A curva em declive da juventude traz muitos impactos ruins, é uma presença forte, mas não é o declínio da importância, nem a minha essência evaporando. 

O fato de não produzir mais hormônios não me impede, em tese, de ser produtiva em outro contexto, de ter consciência do meu valor e espaço.



 

 
Dama de prata

A experiência que acompanha a menopausa só poderia vir com ela; o que antes era confusão , agora é clareza; o que era ponto fraco , agora é forte.

A gente não sangra mais e, por isso, já não sangra à toa.

 O corpo muda, é verdade, e pede mudança da mente também.

Longe de mim querer romantizar o envelhecimento, mas não posso negar que há nele um poder fantástico! 

Algumas coisas ficam melhores quando envelhecem: o queijo, o vinho, alguns tipos de madeira, a prata e nós também, se permitirmos que o tempo nos seja um mestre nobre, e não um carrasco.

A sabedoria acumulada com o tempo é diferente da sabedoria instantânea da juventude, dos conhecimentos acadêmicos, dos anos dourados, das reflexões e ativismos eufóricos. 

Não se trata de estar em vantagem sobre outrem, mas é elementar. 

Ela é sutil, não senil. 

Às vezes, reside no silêncio; outras, no trovejar de uma razão irrefutável.

Os anos abraçam a sabedoria, é um par perfeito.

Não desonremos nossos longos dias, pensando tão pouco sobre nós mesmas , ou tanto que nos torne presunçosas.

Eu, por meus esforços, não posso acrescentar um dia sequer aos meus anos, nem um centímetro à minha estatura, e sinto uma estranha liberdade sabendo disso...

Não cabe a mim esticar a vida, mas preenchê-la da melhor forma – e que eu não seja encontrada em débito.



Pitacos Rosé Gold


É natural, mas não precisa sofrer tanto.


Tratar o impacto causado pela última menstruação é tão justo e necessário, quanto foi tratado o impacto da primeira.

Cólicas, desconfortos,  dores de cabeça, irritabilidade, adaptação. 

A festa de hormônios,  lembra?

Agora é, sintomas mais diversos e multiplicados,  e hormônios no fim da festa.

Essa é a matemática. A conta parece que não fecha, nem precisa, o resultado é um fato.

Infelizmente, o sistema público de saúde, e até mesmo o privado muitas vezes, não aborda a saúde da mulher de forma integrada e preventiva no contexto da menopausa. 

Cada uma se vira como pode.

Muitas não recebem as informações necessárias para esse momento importantíssimo e inevitável.

A informação abre caminhos para tratamentos tão incríveis que, posso dizer com propriedade, fazem toda a diferença em nossa saúde.

Busque informação, as possibilidades de tratamento são diversas.

Só não acredite que está doente, porque possivelmente não está.  É menopausa , é a vida,  dinâmica e movimentada.

Nem tud
o é hormonal.

Vale a pena considerar os outros sistemas do nosso corpo antes de colocar tudo na conta da menopausa.

Um check-up anual é sempre bem-vindo.

Alimentação, sono, atividade física, relacionamentos, por que não? Essas coisas vêm na esteira do cuidado com a saúde.

Cuidar da alma é tão importante quanto cuidar do corpo.

Dedicar um tempo para cuidar da alma é tão necessário quanto cuidar da pele, prevenindo outro tipo de fadiga, de desgaste, de "morte".

Ter acesso a recursos para o tratamento dos efeitos da menopausa e do envelhecimento, seria excelente, mas isso não resolverá as questões da alma - nunca.

Ela é bastante frágil, na verdade, sempre foi...

Nos Pitacos ou Apoio Rosé Gold aqui do blog, sempre deixo essa sugestão também,  uma vida de fé, é uma vida abundante em qualquer circunstância.





 

Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho.

Ademais, não perca tempo lamentando o que passou, o que se foi, o que já não é; viva intensamente com e por tudo o que ainda tem. 

A juventude passa como uma banda e sua marchinha, e se o ouvido for bom , continuaremos com a música e a dança,  ainda que ela se vá. 

 Sempre haverá pessoas para amar, trabalho a realizar, metas a alcançar, lições para aprender e também ensinar, saúde e beleza a valorizar. 

É um outro conceito, outro patamar.

Cada fase da vida tem sua razão de ser, sua beleza e valor. Falo sobre isto em outro post, leia aqui Mudaram as estações e nada mudou. Será?

Fico por aqui, qualquer dúvida ou sugestão, fique à vontade par enviar uma mensagem ! 
Obrigada pela visita!
Até mais...

 
                                                     ☙❧




 

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