A liberdade de dizer não

                


Direto ao ponto      

 O não da recusa tem uma face carrancuda; ninguém gosta de olhar para ele, é algo chato de lidar.

Não se trata do não para coisas que, logicamente, devem ser recusadas. 

É sobre o não para o inesperado, porque o hábito do sim já está instalado..


Talvez um dia eu tenha aprendido nas entrelinhas que, se dissesse sim para tudo e todos, seria benquista, bem vista e teria aceitação.

Acabei me ausentando de mim mesma, desconectando-me do fio que me ligava à razão, para corresponder às expectativas criadas sobre mim.

Simulava concordância com o que me era pedido ou imposto, e assim ganhava meu lugar na apreciação de alguns, mas com a alma contrariada. 

Que desonestidade a minha!

O que há de grandioso em dizer sim só para não contrariar? É uma condição ínfima!

Vi que o sim dito sob pressão [mesmo que velada] traz esgotamento e frustração, é vicioso e nunca  suficiente.

Desconstruir isso não é tarefa fácil nem agradável.


Neste mundo do politicamente correto, onde se espera de nós sorrisos e disponibilidade o tempo todo, é preciso vestir-se de coragem, assumir os riscos que acompanham um não bem resolvido e seguir em frente com determinação.

Muita coisa pode ficar comprometida ou até mesmo acabar quando decidimos não ir, não fazer, não concordar, não curtir, enfim ,  não continuar na caixinha idealizada para nós. 

O não assertivo coloca as relações à prova, mas também as define.

Trabalhemos nossa independência!

É plenamente compreensível e natural dizer não, mesmo em situações que não envolvem abuso, mas que simplesmente não fazem sentido para nós.

Qual o problema em dizer não? 

Ele pode ser carrancudo, mas também justo, coeso e eficiente.



Há um tempo e lugar para o sim


Não me refiro aqui à negligência de atos de generosidade, gentileza e benevolência, pois há tempo para isso, tempo para temperar com sim os dissabores de alguém.

O mundo está adoecido, e a selva de pedra, cada vez mais selvagem; não dá para ficar indiferente a essa realidade tão clara.

É aqui que me situo! 

É necessário, em certos momentos, doar-se, talvez guardar a nossa dor e ir ao encontro da dor do outro, dizendo um sim com todas as letras e com todo o coração.

Ainda que  seja sacrificial,  trará frutos bons.

Esse sim é louvável.

Há também a aceitação que não compromete, não deixa marcas; é espontânea e aleatória.

 Quando você percebe, já foi.

 Não aprisiona e não está ligada a nenhuma grande causa, apenas à simplicidade.


Dizer não é sobre liberdade 






 À duras penas aprendi o caminho da liberdade.

 Ele se ergue entre curvas, arvoredos, planícies e mares.

 Com isso, quero dizer que é um caminho belo, mas cheio de sutilezas.

 O principal desafio, depois de aprender, é permanecer na rota, focada, perseverando. 

E quanto à Cruella De Vil, eventualmente atribuída a mim, por ter dito um "não" personalizado, a desconheço!

 Pura invenção, haha. 
Pois eu não a sou. 

Posso perfeitamente dizer não e continuar sendo uma pessoa do bem , imperfeita mas do bem .



Pitacos Rosé Gold  

Pavimentando a estrada do não 


-Faça uma leitura de todo o contexto; livre-se de equívocos antes de responder , desarme-se .
Essa liberdade de dizer não deve te dar paz e não remorsos.

-Recuse com gentileza; isso preservará tanto você quanto o outro.

-A negativa não deve ser um muro que separa, mas um caminho que comunica.
Entretanto, se houver assédio e desrespeito à decisão,  reveja a geografia sem culpa, isso mesmo, a geografia!

-Se tiver que se justificar ( o que nem sempre convém) use de sabedoria e demonstre segurança em suas decisões.

-Não crie expectativas ou esperança de  um possível sim futuro, se não pretende sinceramente o fazer;  só para aliviar o impacto da recusa do momento...

-Um vendedor de mel passa de vez em quando aqui em casa. 
Já decidimos não comprar mais dele.
Porém, acho que ele levou ao pé da letra quando um dia eu disse: "Hoje não, quem sabe na próxima vez."  O que aconteceu? Se tornou inconveniente! 

Deixe o fardo

-Não tema desagradar ninguém ao recusar algo que não faz sentido para você. 
A transparência ainda é uma virtude real , os nobres não se ofendem com ela.

-Não se culpe ao dizer não.
Você não é responsável pelo bem-estar geral. 
Saber disso faz parte do seu equilíbrio.

-Ademais, siga seu caminho, fazendo parte importante do cenário, discernindo tempos e situações. 
Quer seja sim ou não, faça uma boa história.

Estas são mais algumas das minhas percepções, ao sentir a vida , entre ventanias e calmarias .

Em outro post falo sobre a condição de ouvir um não leia Aqui 
Obrigada pela visita. Até mais... ❤

                                                              ❧☙

 

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